27 de março de 2013

Família - Tratamento Preferencial






          Li em um dos muitos livros que já utilizei nos pequenos grupos de mulheres , uma frase que me fez pensar: “Não dê a outros o que você não deu primeiro em casa.” Assim que li, lembrei  de uma entrevista que assisti com a Zélia Gattai esposa do escritor Jorge Amado. A entrevistadora  perguntou sobre o segredo de tantos anos de casados, ela respondeu mais ou menos assim: “Procuro sempre tratar o Jorge como visita.” Acho que entendi o que ela queria dize, ou seja, não nos aborrecemos com os pequenos deslizes das visitas e sempre lhes  oferecemos o melhor.
          Já percebeu que quando a visita derruba café na nossa linda toalha simplesmente dizemos: “não tem importância, depois eu lavo”; mas quando o filho de cinco anos derruba suco de beterraba na toalha branca recém-colocada na mesa, então..., a paciência vai para longe; o moleque é arrancado da mesa, colocado de castigo além de ouvir um monte de vitupérios. Não é exagero! Isso acontece o tempo todo em muitos lares.
           Já viu na casa da vovó, louças lindas, muito bem arrumadas no armário com portas de vidro, para que todos contemplem? A vovó só usa quando tem visita, para a família serve nos pratos velhos. Uma mulher em um dos pequenos grupos que liderei disse que a sua mãe tinha guardado por anos, vários presentes de casamento que nuca havia usado, estava à espera de alguém importante, uma ocasião especial. A filha disse que a mãe  faleceu sem nunca ter usado as louças, toalhas e lenções que tinha ganhado de presente.
          A autora  do livro que citei, narra,  que certo dia, fez um delicioso jantar para uma vizinha (que ela não conhecia), que   tinha acabado de voltar do hospital com um bebê recém nascido. Ela gastou toda a sua tarde naquele jantar. Fez pratos deliciosos e sofisticados, queria muito ser gentil, afinal aquela mãe não teria tempo, nem condições de ir para a cozinha preparar o jantar da família. Só que, sua filha perguntou a caminho para a casa da vizinha, o que eles teriam para jantar quando retornasse, só nesse momento, ela lembrou que gastara tempo em um jantar especial para a vizinha, que não conhecia, e esquecera a sua própria família, que comeria cachorro quente naquela noite. Desde então sempre que vai presentear alguém com um dos seus deliciosos quitutes, faz um igualzinho para a família ou então leva faltando  três porções, os da sua família é claro. Gostei!
          Fiz muito isso também, não é errado cuidar dos outros, a Bíblia nos ensina a amar o próximo, mas não devemos negligenciar a nossa casa. A nossa família é o bem mais precioso que temos e deve ter lugar preferencial em nosso coração, na nossa agenda, nas nossas escolhas de cada dia.
          Não adianta ter um coração piedoso para com os de fora se na nossa casa não formos piedosos também. A toalha pode ser lavada, o copo quebrado pode ser substituído, mas os momentos em família que perdemos,  o tempo não traz de volta. Passou. O tempo gasto com os outros em detrimento da nossa família, não vai voltar. Vejo pais passarem horas no celular conversando com amigos, conhece tudo sobre os amigos, mas não conhece o próprio filho.  Cônjuges gentis e educados com os de fora, mas extremamente irritados com os de casa. Professoras dedicadas em sala de aula, mas em casa, mães negligentes, estressadas. A Família deve ter lugar de honra em nosso coração, não vale a pena, nem é saudável levar tudo ao pé da letra, tem muita coisa boba que dá para relevar. Por que brigar por uma toalha molhada em cima da mesa, ou porque o filho não quer comer cenoura? Às vezes fazemos um cavalo de batalha, uma tempestade em copo d’agua por coisas tão insignificantes!
           Um ótimo exercício na hora desses conflitos familiar é perguntar: Se fosse uma visita, como eu reagiria? Com certeza com mais paciência e consideração.
          Abraço e curta a sua família, hoje.

Ah! O livro que citei é: George, Elizabeth. Uma Mulher segundo o coração de Deus. São Paulo, Hagnos, 2004.
(Muito bom para trabalhar com discipulado ou pequeno grupo de mulheres)


16 de março de 2013

Papa e papas




          A imprensa do mundo inteiro esteve com as suas lentes voltadas para o Vaticano. A renúncia de um Papa encheu o mundo de espanto. Não importando os motivos que levaram Bento XVI a renunciar, é fato que foi uma atitude louvável. Muitos quando chegam ao poder não querem mais sair, mesmo quando esse poder se torna  sufocante. Deixar o poder é um exercício para poucos. Sábios são os que entendem que sair de cena, muitas vezes, pode ser a melhor solução para o coletivo.
          Fico me perguntando o quanto seria saudável, para muitas denominações evangélicas que vivenciaram rachas institucionais e sofreram e sofrem as consequências das divisões até hoje, se os que estavam no poder tivessem tomado a mesma atitude de Bento XVI e descido do pedestal?  Muitos permanecem no poder pela autoimposição, pela manipulação, pelo apego ao estrelismo, à popularidade, aos aplausos, ao conforto da posição, por gostar de mandar e desmandar, de serem os donos da verdade. Alguns desses “papas” estão travestidos de bondade, se escondem atrás da fala bonita, encantam pela oratória, todavia, permanecem alienando o rebanho que a ele dá toda glória, totalmente distantes do Jesus dos Evangelhos. Quando o Diabo quis seduzir Jesus prometendo os reinos do mundo “[...] Jesus lhe disse: ‘Retira-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus, e só a ele preste culto”.
          Subir no pedestal é fácil, difícil é descer e permanecer admirável.



14 de março de 2013

PRESENTES DE ALEGRIA



         Encontrei na internete uma dinâmica interessante que resolvi aplicar no meu grupo de mulheres da minha igreja. A dinâmica se chama “Presentes de alegria”. Entreguei para cada mulher um cartãozinho que fiz com muito carinho durante a tarde e pedi que escrevessem nele uma mensagem para a pessoa que estivesse do  lado direito. A mensagem não deveria ser vaga, mas ressaltar as virtudes, os talentos, as  habilidades da pessoa mencionada. Assim que terminaram de escrever, solicitei que ficassem de pé e entregassem o cartão com um afetuoso abraço, afinal se tratava de um presente e presente não se entrega de qualquer jeito.
        Geralmente ficamos muito preocupados quando vamos presentear alguém, queremos agradar sempre, então entramos em desespero  tentando  descobrir o presente ideal. É muito bom dar e receber presente, mas nem sempre é necessário gastar dinheiro para presentear, um elogio com sinceridade toca muito mais o coração do que um presente caro entregue com frieza, apenas pela obrigação da data especial.
         Sempre me lembro, e não canso de mencionar, a experiência que tive com um garotinho do projeto social que coordenei. No dia do seu aniversário ele ganhou uma linda roupa e um cartão da sua madrinha afetiva. O presente ele pediu para eu guarda até a hora da saída, o cartão, ele colocou no bolso e foi brincar, era a hora do recreio. Ainda recordo como hoje, ele estava brincado e de repente parava tirava o cartão do bolso, lia, dava um sorriso e continuava a brincar, fez isso várias vezes durante aquela tarde.
         Essas mensagens que a gente entrega e ganha, são verdadeiros presentes de alegria, não custam nada, só o tempo de pegarmos um papel e depositarmos nossos sentimentos, o quanto a pessoa que vai receber é importante para nós. É tão bom saber o quanto somos admirados, amados, valorizados, respeitados, aceitos principalmente pelos que estão próximos de nós.
        Quando vi tantos sorrisos nos rostos das mulheres ao ler suas mensagens, entendi o nome da dinâmica. O elogio sincero faz bem ao coração, alegra e eleva a autoestima.
         No dia seguinte coloquei em prática na minha casa também. Escrevi uma mensagem para o meu esposo, e coloquei dentro da carteira,  que ele só foi dar conta algumas horas mais tarde, quando precisou pegar o dinheiro para abastecer o carro, ao chegar em casa me agradeceu com um beijo e um enorme sorriso. De vez em quando também distribuo presentes de alegria para a minha filha escrevendo na agenda da escola.
         Quem merece presentes de alegria hoje? Que tal começar a distribuir agora?  Pode ser para o cônjuge, filhos, parentes, amigos, colegas de trabalho e não precisa ser necessariamente escrito, pode ser verbalizado, todos os dias, não importando a ocasião. Todo dia é um dia especial, é dia de expressar o amor e semear alegria nos corações daqueles que nos cercam e são importantes para nós.
          Vamos começar?   

1 de março de 2013

Creio no Jesus dos Evangelhos

          Para Mahatma Gandhi Jesus não passou de um grande professor de ética, ironicamente, alguns cristãos  passaram a crer assim também. Para mim Ele é muito mais, é Salvador. Creio no Jesus dos evangelhos que disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim." (João14:6)  "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, NUNCA andará em trevas, mas terá à luz da vida." (João 8:12). “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá.” (João 11:25). Não dá para compará-lo a um filósofo da moral, Ele é: "Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." (Isaías 9:6)

Li e gostei - MEMÓRIAS DE UM PASTOR ( Eugene Peterson)

"A igreja é composta de pessoas que, ao entrarem no templo, deixam para trás o rótulo ou a designação pela qual as pessoas da...