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JÁ ENTRARAM TODAS AS CRIANÇAS

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Quando a noite vai chegando penso ás vezes numa velha casa na colina e em um quintal vasto e florido onde as crianças brincavam a vontade. É quando a noite chega enfim, aquietando a alegre e barulheira mamãe dá uma olhada e pergunta – já entraram todas as crianças? Oh! Já faz muito, tempo isso, e a velha casa na colina já não ressoa com passos infantis e o quintal está quieto, muito quieto. Mas vejo toda a cena quando as sombras chegam, e embora muitos anos tenham passado posso ouvir mamãe perguntar – já entraram todas as crianças? Pergunto-me se quando chegarem as sombras do último e breve dia da terra, quando nos despedirmos do mundo lá fora cansados das nossas brincadeiras infantis quando pisarmos a outra terra onde mamãe há tanto tempo já está ouviremos sua pergunta como antigamente fazia: já entraram todas as crianças?  - Anônimo           Li esse poema pe...

Mãe, sinônimo de força, coragem, misericórdia...

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          Minha mãe é uma mulher incrível. Quando nasci ela já era professora e vivia   sempre   correndo contra o tempo para dar conta da casa do trabalho e da igreja. Eu costumava dizer que ela e minha avó Neném eram feitas de outro material, pois são mulheres muito dispostas para o serviço. Amava o ensino, hoje está aposentada, desenvolvia o seu ofício com excelência. Durante a semana ,geralmente trabalhava nos dois turnos, sempre trazia trabalhos para casa, e no domingo ainda dava aula na Escola Bíblica. Às nove da manhã já tinha feito o almoço, arrumado quatro menininhas de cabelos enrolados e estava a caminho da igreja. No sábado sentava conosco para estudarmos as lições da Escola Bíblica. À noite, quando ela não estava muito cansada, reunia as filhas na cama para contar estórias, como ninguém, sabia nos fazer sonhar através do mundo encantado.           Buscava sempre faz...

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

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“ O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...”   “- A gente só conhece as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me”.  “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. ( Falas da raposa ensinando o Pequeno Príncipe a cativar)           Vai fazer uns três meses que nos mudamos para o apartamento novo, ainda há livros para serem desencaixotados, leva tempo até colocar tudo em ordem. Então resolvi dar uma mãozinha para a minha filha e desencaixotar os seus livros e arruma-los na estante. ...

Igreja na periferia - servindo

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                          Como toda mulher, adoro um salto alto. A roupa pode até não estar legal, mas quando a gente põe um salto, tudo muda. Nada de errado em subir num salto, ficar bonita. O erro é usar o salto errado, ou seja, o salto da arrogância, do orgulho, da insensibilidade, do preconceito, da mesquinharia, da omissão...           Quando eu coordenava um projeto social no interior do Ceará costumava enfatizar para o meu pequeno grupo de mulheres que o errado não é subir no salto, mas não conseguir descer dele. Tem gente dentro da igreja que não consegue se envolver nas causas sociais por se sentir importante demais, ou ocupados demais para gastar tempo, dinheiro e talento com uma criança carente ou  uma mãe que passou o dia na rua, debaixo de um calor infernal, catando material reciclável para sustentar a casa. Como eu admiro essas mulhe...

“Como pode permanecer nele o amor de Deus?”

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“Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, e não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de Palavra nem de boca, mas em ação e em verdade”. (I João 3:17-18)          O apóstolo João, em sua primeira carta, desmascara todo e qualquer farisaísmo, colocando o dedo na ferida, quando duvida do amor de quem não se compadece do próximo em necessidade: ”...como pode permanecer nele o amor de Deus?” . Quem ama compadece, estende a mão, abençoa, se  doa, se entrega, se sacrifica.           “Filhinhos, não amemos de Palavra nem de boca, mas em ação e em verdade”.  Essa pergunta deveria fazer eco em nossas mentes, deveríamos nos perguntar constantemente: amo em ação e em verdade? O pastor da minha igreja “ama em ação e em verdade”? O diácono, o presbítero, o líder, os membros da minha comunidade, amam em ações e em verd...

Devaneios de criança

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                  “ Ler, ler, ler, viver a vida que outros sonharam.” Unamuno acertou ao expressar o poder da leitura. Quando o livro é bom ele dialoga conosco, nos transporta para lugares impossíveis, se torna amigo, parceiro e companheiro para toda a vida.         Quando criança me debruçava em cima dos livros e com eles fazia  viagens maravilhosas pelo mundo da imaginação. Alguns despertavam desejos só possíveis na cabeça de uma  criança. Então, nos meus devaneios de infância, eu   queria morar no Sitio do Pica-Pau Amarelo para comer os bolinhos de chuva da tia Nastácia. Quis estar no lugar de  João e Maria e me deliciar com  a casa feita de doces. Ah! Desejei ter o pó de pir lim pim pim da Emília de Monteiro Lobato e aparecer onde  quisesse e assim visitar lugares e cidades que lia nos livros.   Sonhei acordada em encontrar o Gêni...

Tenho saudade...

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Rubem Alves disse em uma  de suas crônicas que “Saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”. Li esta frase e fiquei pensando... Para onde a minha alma quer voltar, do que tenho saudade? Ah! Tenho saudade de tantas coisas! Da família da Bahia; das histórias que mainha contava tão bem que nos fazia viajar no mundo da imaginação; dos livros que ela pegava na biblioteca para lermos nas férias; dos copos de vitaminas de banana que painho levava na cama para tomarmos antes de  dormir;  do friozinho de Vitória da Conquista  que  me fazia entrar debaixo de  três cobertores para dormir; da minha infância a brincar solta na rua de casa com as minhas irmãs; das broncas da minha avó Cecília do outro lado da rua na janela da sua casa: “Lécia senta direito, você já é uma mocinha” ou “ Maria Vitória você vai deixar as meninas irem sozinhas para a igreja, é muito perigoso? A igreja ficava na rua detrás e já éramos adolescentes; tenho saudade da cum...