BARRAS DE CHOCOLATE ESPIRITUAIS
"Teri Myers era a esposa do pastor quando
minha família vivia em Grants Pass, Oregon. Ela foi e ainda é uma amiga querida
e uma conselheira espiritual, o retrato de um coração de Maria em um mundo de
Marta.
Ao longo dos anos, enquanto observava
sua conduta em relação a Deus, me animei para aprofundar meu relacionamento com
o Senhor. Mas Teri é a primeira a admitir que nem sempre é fácil estar perto
dEle. Ela conta que em uma noite iria receber visitas para jantar. Trabalhou
arduamente o dia todo para preparar uma bela refeição — quatro pratos e uma
sobremesa caprichada. Seria maravilhoso. No entanto, em um momento no meio da
tarde, Teri percebeu que estava com fome. “Estive tão ocupada cozinhando e
limpando”, diz ela, “que me esqueci completamente de almoçar”. Mas eram apenas
quatro horas e os convidados não chegariam antes das seis. “Eu sempre tenho uns
docinhos escondidos”, disse ela com um largo sorriso. Então, apanhou algumas
barras de chocolate e sentou-se para descansar, apreciando a sala de estar
limpa e a linda mesa. “Fiz uma mágica! Meu estômago não roncava mais. Eu podia
tomar banho, arrumar o cabelo e me vestir com tempo de sobra.” Teri só
descobriu o problema quando se sentou à mesa do jantar. “Lá estava eu, diante
do jantar maravilhoso que levei o dia todo para preparar, sem apetite algum!” O
lanche da tarde havia lhe tirado toda a fome. Ela acabou “beliscando” algo
enquanto via todos se servirem à mesa, deleitando-se com a refeição.
“O Senhor falou comigo naquele
instante”, Teri conta. “Ele me mostrou que costumamos preencher nossas vidas
com barras de chocolate espirituais
— coisas tais como amigos, livros e compras. Essas coisas podem ser boas,
completamente inocentes — mas não quando tiram a nossa fome de Deus”.
A ilustração de Teri esteve em meu
coração por muitos anos, porque se encaixa direitinho à minha vida.
Constantemente, luto contra a tendência de preencher o vazio dentro de mim, que
é do tamanho de Deus, com outras coisas. Não gosto da solidão; então, ocupo o
espaço com telefonemas, telefonemas, eventos sociais e passeios ao shopping. A
solidão, contudo, segundo minha amiga Jeanne Mayo, pode ser “o chamado divino
para termos comunhão com Deus”. Não gosto da quietude; eu a preencho com
seriados de TV, programas de entrevista, música cristã e o canal de noticiário
— mas foi no silêncio da noite que Samuel ouviu a voz de Deus. Fomos feitos
para estar junto a Deus. Assim como nossos corpos sentem fome e sede, nossos
espíritos têm fome e sede de sua presença. No entanto, da mesma forma que é
possível inchar nossos corpos com calorias inúteis, podemos encontrar formas de apaziguar nosso desejo
espiritual sem ingerir o verdadeiro alimento necessário. Podemos nos encher com
barras de chocolate espirituais, enquanto nossos espíritos fracos clamam pelo
alimento genuíno. Se você tem tido problemas para se sentir mais próxima do
Senhor — ou tem desejado se aproximar —, você precisa levar em consideração o
que está usando para preencher o vazio da sua vida. O que está tirando a sua
fome de Deus? Pode ser que você apenas precise começar a “comer” o alimento que
vem do Senhor para descobrir o nível de sua fome espiritual. Entenda, a fome e
a sede espirituais não funcionam da mesma forma que nossas necessidades
físicas. Quando nosso corpo físico sente fome, comemos e nossa fome é saciada.
Mas, espiritualmente falando, não é possível perceber o quanto estávamos
famintos mesmo depois de comermos. Quando nos servimos da mesa de Deus, algo
estranho acontece. Ficamos com mais fome. Com mais sede. Queremos mais! Temos
que comer mais. “Nossas almas são flexíveis”, escreve Kent Hughes em seu livro
Liberating Ministry from the Success Syndrome. “Não há limites para sua
capacidade. Sempre podemos nos abrir para reter mais e mais de sua plenitude.
As paredes sempre podem se alargar; o teto sempre pode ficar mais alto; o chão
sempre pode suportar mais. Quanto mais experimentamos de sua plenitude, mais
podemos experimentar!” Quando provar o gosto da intimidade da sala de estar
oferecida por Jesus, você verá que nada mais vai satisfazê-la. Nem mesmo as
“barras de chocolate” se comparam à doçura da presença do Senhor. Quando você
provar o melhor dos melhores, estará disposta a descartar a comida calórica e
nada nutritiva que o mundo oferece, para ter uma verdadeira refeição com o
Salvador."
“Provai”, como diz o salmista, “e vede
que o Senhor é bom” (Salmos: 34.8).
Fonte: Weaver, Joanna. Como ter o Coração de
Maria no Mundo de Marta: Fortalecendo a Comunhão com Deus em uma Vida Atarefada
(Portuguese Edition) (p. 87). CPAD. Edição do Kindle.
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