27 de abril de 2013

Impacientes na Igreja



        

       Gosto muito de ler Eugene Peterson por sua teologia sólida, equilibrada e contextualizada. Ele fala ao coração de todos, mas especialmente dos que lideram na igreja.

       O texto abaixo nos leva a refletir sobre a nossa expectativa errada com relação à igreja. Somos impacientes e muitas vezes sem misericórdia. Esquecemos que Deus é paciente, misericordioso e cheio de graça para com os seus filhos.

       "Quem se afilia a uma igreja na expectativa de participar de uma congregação feliz, harmoniosa e unida terá uma grande decepção. Podemos pressupor, também, que essa pessoa não leu as escrituras com muita atenção. De vez em quando, há exceções, algumas até bastante honrosas, mas todas as comunidades cristãs estão sempre em progresso, formadas de pecadores batizados em diversos estágios de desenvolvimento na vida de amor [...] Estamos aqui para ser formados ao longo de toda a vida numa comunidade de amados, amados de Deus que estão sendo transformados em um povo que ama a Deus e uns aos outros da maneira que Deus nos ama e segundo os seus termos[...] É um trabalho demorado. Somos aprendizes lentos. E apesar da paciência infindável de Deus para conosco, não temos paciência uns com os outros[...] Uma das principais tarefas da comunidade de Jesus é cultivar o amor ao longo de toda a vida em meio à confusão das famílias, vizinhanças, congregações e missões. O amor é complexo, exigente, glorioso e profundamente humano, e honra a Deus, mas - eis o detalhe importante - nunca é um produto acabado , nunca é uma realização: em maior ou menor grau, é sempre imperfeito[...]"

Extraído de: PETERSON, Eugene - A maldição de um Cristo genérico: A banalização de Jesus na espiritualidade atual- São Paulo: Mundo Cristão, 2007 pg 362, 363)

 





20 de abril de 2013

Não importa quem vai colher, o importante é semear



“Como são belos nos montes os pés daqueles que anunciam boas novas, que proclamam a paz, que trazem boas notícias, que proclamam salvação, que dizem em Sião: O seu Deus reina!” (Isaías 52:7).

          Desde criança ouvia histórias e testemunhos de missionários que se aventuravam em terras estrangeiras para proclamar as boas novas do Evangelho. Anos depois, no seminário, comecei a acumular as minhas próprias histórias, experiências dos evangelismos nas tardes de domingo no Seminário Betânia em Coronel Fabriciano; do ano prático na Jocum de Belo Horizonte; do impacto evangelístico no Paraguai. Lembro-me que sempre que voltávamos de um evangelismo havia a famosa pergunta: “Quantas pessoas aceitaram a Jesus?” Ficávamos frustrados quando o resultado era nenhuma, nenhuma pessoa havia aceitado o Salvador. Contudo, não era sempre assim, muitas vezes o resultado era uma bela colheita de vidas rendidas ao Senhor.
          Anos mais tarde, esposa de pastor, mais cobrança. Desta vez era para a igreja crescer. Nos corredores da denominação a pergunta se repetia frequentemente: “Quantas pessoas há na sua igreja?” Com a pergunta vinha à receita, a cereja do bolo, todos tinham uma fórmula para o crescimento da igreja e queriam passar.
          Vi pastores, dedicados, piedosos, honestos e fieis ficarem constrangidos quando o seu relatório por anos continuava quase o mesmo, embora a sua igreja estivesse viva e atuante. Missionários angustiados porque se viam obrigados a darem “resultados”, do contrário o destino seria o retorno do campo missionário.
          Aprendi, ao longo da caminhada cristã, que quem dá o crescimento é Jesus. Em algumas igrejas, nós arrancamos tocos para outro colher. Em outras, colhemos, o que outro semeou. Não tem uma receita pronta. Passamos por igrejas que cresceram de forma espetacular em pouco tempo, em outras, o crescimento foi muito lento, embora por onde passamos, trabalhamos com o mesmo empenho e dedicação. A obra é de Deus, o vento sopra aonde quer.
          Hoje a tarde, sem um livro novo para ler, fui até a estante  e  peguei “Para que serve Deus” de Fhilip Yancey e comecei a reler. Passeando por suas páginas, me deparei com a história verídica de um grupo de jovens missionários, fascinados com o que Deus estava fazendo através de suas vidas, no início da década de 1970, no Afeganistão. Segundo Yancey, o Dr. J. Christy Wilson, figura reverenciada no Afeganistão, resolveu levar o grupo de jovens missionários para fazer turismo no cemitério e aprender um pouco sobre missões.
          “Wilson levou os adolescentes a visitar um ponto turístico diferente: O único cemitério no Afeganistão onde podiam ser sepultados ‘infiéis’. Dirigiu-se para o primeiro túmulo, uma lápide antiga, marcada pelo tempo. ‘Este homem trabalhou aqui por trinta anos, traduziu a bíblia para a língua afegã’, disse ele. ‘Nem um único convertido. E neste túmulo ao lado jaz o homem que o substituiu, juntamente com seus filhos que aqui morreram. Ele labutou durante 25 anos e batizou o primeiro cristão afegão’. Enquanto o grupo caminhava por entre os túmulos, ele relatava as histórias dos primeiros missionários e seus destinos.” (YANCEY, 1998, Pg 217).
          Compreendi que “sucesso ministerial” não é fazer a igreja acontecer ou alcançar o maior número de pessoas em um curto espaço de tempo, mas se manter fiel aos princípios da Palavra de Deus, ao chamado do Senhor enquanto semeia, ora chorando, ora cantando, sabendo que no tempo certo a colheita acontecerá. Que o labutar não é em vão, pois não importa quem vai colher,  o importante é   semear e deixar o crescimento e colheita por conta do Dono da seara, nosso Senhor e salvador Jesus Cristo.
          Disse o apóstolo Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer.” ( I Coríntios 3:6)
         

5 de abril de 2013

E se desse a louca na igreja e ela... quisesse ser IGREJA?


Fonte: www.vemevetv.com.br

Jesus não batia em pessoas feridas



          "[...] Jesus não batia em pessoas feridas. Quando seus olhos percorriam as ruas e colinas, ele sentia compaixão porque as pessoas estavam sem liderança. Ele nunca as diminuía, envergonhava ou ridicularizava. Ele tomou a iniciativa de buscar pelos perdidos e excluídos, porem não tentou convertê-los com uma rajada devastadora da Torah ou dos profetas Hebreus. Sua mente estava constantemente imbuída de misericórdia, ternura e perdão. Ele não passou um sermão na mulher surpreendida em adultério a respeito das consequências da infidelidade, ao contrário, Jesus viu sua dignidade sendo destruída pelos assim chamados ‘homens religiosos’. Depois de lembrá-los de sua solidariedade com o pecado, Ele olhou para a mulher com olhos de imensa ternura, perdoou-a e disse-lhe para não pecar mais. Nesse instante, eu e você estamos sendo vistos com o mesmo olhar de infinita ternura [...] "

        Esse texto é de Brennan Manning, um autor que sigo porque me inspira a buscar mais a Deus. Super recomendo!

      


Referência bibliográfica: MANNING, Brennan. Acima de tudo. São Paulo: Naos, 2006,  (Pg 71-72).

3 de abril de 2013

Qual é o seu campo missionário hoje?




          Quando falamos em “missões” a nossa mente viaja para lugares onde os cristãos são perseguidos, para tribos embrenhadas em densas florestas, para viagens distantes de casa, sacrifícios, renúncias, privações, Ufa! Logo colocamos missões de lado como se fosse algo só possível para um grupo seleto de pessoas escolhidas e vocacionadas por Deus para uma missão especial.
         De fato, muitos são vocacionados e chamados para cruzar fronteiras e penetrar em um mundo desconhecido a fim de plantar a semente da salvação. Nesse momento há muitos missionários em várias partes do mundo obedecendo  ao “ide” de Jesus.   “Portanto vão e façam discípulos de todas as nações [...]” Mateus.28:19; Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo.” João 17:18. Todavia, o mais extraordinário de acordo com estes versículos, é que o chamado não é restrito a um grupo seleto, a um  clero elitizado, Jesus chamou todos os seus discípulos, homens e mulheres, a se comprometerem  com a grande comissão, seja indo ou ficando. Jesus nos comissionou para uma tarefa extremamente importante, a de proclamarmos as boas novas do Evangelho. O apóstolo Paulo escrevendo aos coríntios diz que nós “[...] somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio”- 2º Coríntios 5:20. Não importa a geografia do seu chamado, seja ela do outro lado do mundo ou do outro lado da rua, o importante é que você é chamado a fazer missões no lugar onde você está inserido, esse imperativo é para todos.
          Qual é o seu campo missionário hoje? Quem é a pessoa que está perto de você e precisa ouvir uma palavra de esperança?  Quem está gritando por socorro e necessitando de salvação? Quem a beira de um abismo existencial suplica por ajuda? Quem caminha cegamente tateando uma saída no afã de encontrar luz no final do túnel? Quem na sua rua, entre os  seus parentes ou colegas de trabalho, quem sabe amigos, os próprios filhos, cônjuge, necessita hoje desesperadamente  ver Jesus em você?
          Muitas vezes estamos tão preocupados em fazer missões do outro lado do mundo, oramos, contribuímos e isso é muito  importante, mas não podemos  esquecer do filho deprimido dentro do quarto, da vizinha com a mãe em estado terminal, do amigo dependente de drogas, do colega de trabalho viciado em Rivotril, das crianças que moram nas calçadas do nosso bairro, do mendigo que não tem esperança, daquele que reside  ao lado da igreja e está deprimido pensando em tirar a própria vida.  Talvez você nem precise falar, pode ser que um abraço, um ombro amigo, um ouvido atento, o estender a mão, um cobertor no frio, um simples bolo com café, vai esquentar o coração de quem está próximo de você, e esta pessoa, através do seu gesto, será alcançada por Jesus. Fomos alcançados por Jesus para sermos sal e luz, ou seja, dar sabor à vida e brilhar a luz de Cristo em meio a um sistema corrompido pelo pecado.
         Fazer missões não é algo que agendamos, precisa ser um estilo de vida, algo que faço naturalmente onde quer que eu esteja. Proclamar o evangelho é servir àquele que está próximo a mim, seja qual for a sua necessidade, seja o pão material ou o espiritual.
          O seu campo missionário são os que estão próximos de você e ainda não conhecem o grande amor que salva, liberte, transforma, acolhe, olha com misericórdia e concede graça imerecida, Cristo Jesus.
          Que você possa ainda  hoje ser  um instrumento de salvação nas mãos do amoroso Deus.
          Só para lembrar:  “Nos não podemos deixar de falar das cousas que vimos e ouvimos.” Atos 4:20.
          Grande abraço!!!!


Li e gostei - MEMÓRIAS DE UM PASTOR ( Eugene Peterson)

"A igreja é composta de pessoas que, ao entrarem no templo, deixam para trás o rótulo ou a designação pela qual as pessoas da...