23 de agosto de 2012

Não quero mais andar...



        Dezessete anos de caminhada ministerial me proporcionou  muitos momentos edificantes, conheci e convivi com pessoas maravilhosas, algumas ainda caminham comigo. Porém há pouco percebi claramente o tempo perdido com causas sem importância.
          Quando enfrentamos a adversidade de frente, saímos mais amadurecidos, pelo menos sabemos quais caminhos não queremos trilhar. Hoje sem culpa alguma sei o que não quero mais na minha caminhada com a igreja. Não quero uma agenda superlotada onde não sobra espaço para a minha individualidade, nem para a família;  não quero mais cuidar de quem não quer avançar, que não consegue sonhar, projetar; não quero andar com pessoas que se dizem discípulos de Jesus, mas são mesquinhas, egoístas e nunca estão dispostas a caminhar a segunda milha; não quero mais tentar agradar, nunca agradamos;  não quero mais caminhar com quem coloca a instituição acima das pessoas; não quero mais caminhar com quem não valoriza as amizades; não quero caminhar com os dissimulados, que não tem coragem de mostrar a verdadeira cara; não quero andar com os intelectuais que só conseguem dialogar com os seus iguais; não quero mais andar com igreja personalista, que tem na figura do líder o máximo da sabedoria; não quero andar com quem não tem opinião, mas mudam o discurso de acordo com os seus líderes e não por convicção; Quero caminhar com quem está disposto apesar das quedas, lutas, limitações, adversidades,  a depositar a esperança no Senhor e salvador Jesus Cristo; quero andar com quem tem o coração aberto para acolher a todos independente de posição social; quero andar com quem gosta de orar, de ler a Palavra, de evangelizar, de adorar; quero andar com quem torna a caminhada leve, que é reflexivo de verdade e não apenas no discurso; quero andar com quem quer ser ajudado e quer ajudar; quero andar com os que amam as causas sociais na prática e desperta nos outros o desejo de servir; quero andar com quem não tem pressa, que aprecia o momento, que olha nos olhos, que presta atenção nos detalhes; quero andar com quem mesmo pensando diferente de mim, me respeita...
         Recomeçar, romper com o passado, mudar de direção, não é fácil, reque reflexão, humildade, oração e coragem, mas é preciso repensar para não morrer na caminhada.


Como uma sombra Ele não se desgruda de nós


         
         O salmo 121 fala muito ao meu coração, me remete a infância quando eu acompanhava a minha avó Cecília ao hospital. Ela entrava nas enfermarias e ia de leito em leito recitando o salmo 121 e orando pelos enfermos. Aprendi a amar essa passagem que retrata Deus de forma tão presente  no cotidiano dos seus filhos.
         Estamos vivendo uma época muito estressante. São muitos os fatores de estresse: finanças, relacionamentos conflituosos, religião, violência urbana, violência doméstica, preconceitos e por aí vai. Saímos cedo para trabalhar e podemos não voltar por causa de um irresponsável no transito. Dizem que o psicopata pode morar ao lado ou dentro de casa. Essa cultura do medo tem se alastrado principalmente através dos telejornais sensacionalistas que sobrevivem da tragédia humana.
          Porém, quando olhamos para o texto bíblico ele nos traz uma paz proveniente da certeza de que como uma sombra Deus não se desgruda de nós. Nos acompanha por onde quer que  formos. Isso não quer dizer que estamos blindados, que mau nenhum chegará a nossa casa, mas que mesmo vindo o dia mau, o nosso Deus anda conosco nos dando forças para vencermos os obstáculos, mesmo que vencer signifique enfrentar a adversidade e suas consequências.
         A companhia do Senhor produz segurança de que atravessaremos as tempestades e chegaremos seguros ao nosso destino. Muitos chegarão molhados e debilitados fisicamente, mas jamais abatidos espiritualmente. Conheci uma pessoa que enfrentou uma grande tempestade em sua vida, um câncer de pulmão. Pude acompanhar o definhar do seu corpo físico, as dores, o mal estar, o cabelo caindo, a pele descamando e ficava maravilhada ao ver aquela irmã, quando não estava em tratamento, entrando no templo para participar do culto. No final quando ia cumprimenta-la ela dizia com sua voz fraquinha: ”estou firme com Jesus”. Nas diversas visitas que fizemos, muitas vezes a encontrávamos prostrada na cama, fraca, pois nada parava no estomago e sempre dizendo: “Estou firme com Jesus, ele vai me curar”. Ela tinha uma fé inabalável, firme como uma rocha, nunca a vi murmurar, nem ficar amargurada, tinha apenas trinta e dois anos, casada e três filhos lindos.
           Um dia precisei ficar com ela no hospital, tinha se internado mais uma vez, a família era pequena então os irmãos em Cristo revezavam no cuidado. Sentei ao lado da sua cama, li a Bíblia, orei e ficamos a conversar, ela estava cada vez mais fraca. Num dado momento ela me olhou com os olhos cheios de lágrimas e disse que apesar de desejar tanto viver estava preparada para morar com Jesus e me perguntou se era errado ela pedir a Deus a cura porque queria muito criar os filhos e se ao pedir não estaria magoando o Senhor. Olhei para aquela irmã e percebi que estava diante de um gigante da fé. Ela estava enfrentando um câncer terminal sem medo, sem revolta, e preocupada em magoar o coração de Deus por desejar ficar. Alguns dias depois, estávamos em Belo Horizonte e soubemos que ela tinha sido curada, foi morar na  casa do Pai, onde não há choro nem dor, nem enfermidade.
         Fico pensando em alguns crentes triunfalistas que vejo cantando “a minha sorte vai mudar”,  diante de uma situação dessas. Aquela irmã passou pelo vale da sombra da morte e não desvaneceu na fé porque o Senhor como uma sombra esteve ao seu lado o tempo todo. O Deus Emanuel não se apartou dela e ela sabia disso e isso bastou.


22 de agosto de 2012

A igreja que não cresce, morre.



          Ouço sempre o meu esposo  falar que “a igreja que não cresce está fadada a morrer”. Mas crescer como? Dá cansaço só de observar o malabarismo que alguns pastores e líderes têm que fazer para ter sempre a igreja cheia. São tantas as atividades e entretenimentos  que não sobra espaço para o culto a Deus. Meu esposo que é um pastor sério, diz: “ Este tipo de crescimento eu estou fora, não dá para mim”.
          Venho de uma época em que o que nos atraia a igreja era a palavra pregada. A igreja vivia cheia principalmente na Escola Dominical, as pessoas tinham fome de Deus, ansiavam em conhecer e experimentar esse Deus redentor. E não estou falando apenas do público adulto, mas de jovens, adolescentes e crianças. Fora a Escola Dominical, no culto coletivo,não tinha o chamado "cultinho para as crianças", ficávamos o culto inteiro ao lado dos pais e aprendíamos a ter reverência e respeito pela palavra pregada. É por isso que víamos pessoas se decidindo por missões na pré-adolescência, como foi  no meu caso e de muitos outros que hoje são uma bênção para o reino de Deus, porque cresceram se alimentando da Palavra de Deus.
          Hoje a igreja cresce alicerçada em eventos. Se não tiver constantemente um entretenimento novo, os irmãos começam a circular pelas igrejas da região a procura de novidades que os façam sentir algo diferente. E há pastores que no desespero para fazer a sua igreja crescer se esquece do Espírito Santo, da unção, da oração, da vida íntegra, do cuidar, visitar, apascentar, ensinar, e vivem copiando modelos de “sucesso”  das igrejas que estão “bombando” no momento.    As igrejas desses pastores crescem, alias, incham a cada evento de domingo, mas sem qualidade alguma, estão cheias de crianças mimadas que esperneiam se algo não as satisfazem,  que falam com Deus como se Ele fosse seu empregado,  veem o pastor como uma grande babá que está sempre de prontidão para suprir todos os seus desejos e limpar as suas sujeiras.
        Tenho saudades do louvor que  me quebrantava  na presença do Senhor, que despertava para missões , que mostrava em suas letras a grandeza de Deus, a sua misericórdia, que me fazia ter vontade de estar sempre perto dele. Sinto falta do culto  centrado em Deus, as vezes penso que o culto é para o homem desde o louvor até a mensagem. Muitos pastores nem se dão conta que o humanismo tomou conta dos púlpitos através das mensagens “psicologisadas”, onde o ego precisa o tempo todo ser elevado, o importante é elevar a autoestima dos fieis, eles precisam  sentir-se  bem,  felizes no culto. É assim que pensam e é dessa forma que muitos ministros preparam  as suas mensagens. Muitas vezes o que os fieis precisam é chorar de arrependimento, é confessar o pecado, é renunciar o domínio da própria vida e viver debaixo do senhorio de Cristo.
          Precisamos sim que a igreja cresça em sinceridade, honestidade, compaixão pelo próximo,  profundidade no estudo da Bíblia, no envolvimento social, na evangelização, no seguir a Cristo de perto, em reconhecer que sem Deus não é nada, em se colocar na dependência do Espirito Santo de Deus. A igreja precisa crescer em humildade reconhecendo que não é por força nem por violência, mas pelo agir soberano de Deus,  é Ele  quem dá o crescimento, somos apenas colaboradores na seara do Mestre.
          A igreja que cresce através do agir de Deus faz a diferença no meio onde está inserida, ela é viva, dá sabor e ilumina. Oremos para que as nossas igrejas sejam avivadas de fome e sede da Palavra de Deus, ai sim, ela vai crescer saudável e produzir frutos para a eternidade.



20 de agosto de 2012

Quem carregaria a sua maca?


        
  Certa vez fiz uma dinâmica com um pequeno grupo de mulheres que  liderei  numa determinada igreja em que  pastoreamos. A dinâmica estava baseada na história bíblica do paralítico que desceu pelo telhado ao encontro de Jesus (Marcos 2:1-12). Entreguei para elas uma folha em branco e pedi que desenhassem uma maca e  no centro da maca deveriam escrever um problema pessoal difícil de carregar sozinhas. Depois em cada ponta da maca deveriam escrever o nome de quatro amigos, que se precisassem, com certeza, carregariam a sua maca. Dei alguns minutos e fiquei observando. Não foi difícil para elas fazerem o desenho e escrever o nome do problema, mas na hora de identificar os quatro amigos, aí sim, foi difícil. Olhavam para o desenho, para o alto, escreviam um nome e depois riscavam, mexiam com a caneta, e a maioria, por mais que déssemos mais tempo, não conseguiram encontrar na sua rede de relacionamentos, quatro amigos de verdade. Escreveram um nome, dois no máximo. E olha que estou falando de mulheres que há anos frequentavam a igreja, mas nem mesmo dentro da instituição tinham amigos com esse grau de comprometimento. Teve uma senhora que na hora de compartilhar disse que colocou o nome das filhas, porém, não tinha certeza que ajudariam. Triste não é mesmo?
            Aquele paralítico era sortudo, pois contava com  quatro amigos altruístas que mesmo diante de tamanho obstáculo não desistiram de levá-lo a Jesus. A presença de Jesus na cidade causava uma agitação muito grande nas pessoas, logo, logo juntava uma grande multidão na expectativa de vê-lo fazer milagres,  ou na busca de alcançar uma graça. Naquele dia não foi diferente.  Jesus estava em uma casa na cidade de Cafarnaum ministrando a Palavra e ensinando o povo. A casa estava repleta, havia muitas  pessoas espremidas naquele lugar. Aqueles quatro homens com a missão de levar o amigo paralítico até Jesus, não tinham a mínima condição de entrar pela porta da frente, nem pela porta do quintal e muito menos pelas janelas, todas as entradas estavam bloqueadas de gente desejando ver e ouvir o Mestre. Mas eles não desistiram diante da barreira humana, o amigo tinha que ter um encontro com Jesus naquele dia de qualquer jeito. Não sei qual dos quatro teve a ideia de fazer um buraco no telhado e descer o amigo paralítico, mas com certeza era alguém com um coração de servo, não só o dele, mas também  dos outros que aceitaram a empreitada de bom grado, tudo para ver o amigo curado. Quem sabe os quatro homens moravam perto uns dos outros, e ficavam  conversando na calçada da casa do  amigo paralítico fazendo planos, rindo juntos, comentando sobre um homem chamado Jesus que operava milagres e que logo estaria na cidade e como seria bom o amigo ser curado e andar com eles por toda parte sem ser carregado.
        Tenho medo de altura, faço de tudo para não precisar subir em uma escada, agora imagina aqueles quatro homens, que além de subir no terraço carregando um paralítico impossibilitado de ajudar, teriam  que fazer um buraco , amarrar a maca com cordas e descê-la até Jesus. Fico imaginando a cena - Jesus está ensinando em uma casa apinhada de gente e de repente percebe  as pessoas inquietas, olhando  para o alto, a princípio está caindo poeira, barro, mas logo avistam o rosto de quatro homens, Jesus para de falar, também olha, e fica admirado ao contemplar um paralítico descendo em uma maca com a ajuda de amigos. Jesus entende que aquele doente quer ser curado, fica maravilhado com a cena e o esforço  dos amigos, e opera o milagre, dando àquele homem uma vida cheia de novas possibilidades. Creio que o homem da maca jamais se esqueceu daqueles quatro amigos que o ajudou no momento em que mais precisou. Com certeza a  amizade deles só cresceu depois dessa experiência.
         Quem têm amigos como aquele paralítico, é uma pessoa extremamente rica,  independente se mora na favela ou no Morumbi. A maior riqueza de um homem não são os bens materiais, ou uma conta recheada no banco, e sim, os amigos que conseguiu juntar ao longo da vida. Do que adianta trabalhar tanto, correr feito louco atrás de um padrão de vida ideal e chegar ao fim da vida só. Do que adianta ter tanto dinheiro e não ter um ombro  amigo para chorar no dia mau. Soube de um senhor que os Vizinhos só descobriram a sua morte depois de uma semana quando o mau cheiro tomou conta da rua em que moravam. Ninguém sentiu falta daquele infeliz, nem a sua família, só o descobriram porque cheirou mal e tiveram que arrombar a sua porta. Fico me perguntando como esse homem gastou os seus dias, o que preenchia as suas horas, por que ninguém sentiu a sua falta? E aqueles idosos  esquecidos nos asilos, nos  hospitais por dias ou anos sem alguém para visitar? Por que chegaram a esse ponto de ninguém se importar com eles?
         O relato bíblico me leva a rever os meus valores. De que forma priorizo o outro, quantas vezes abro a porta da minha casa para receber, com que frequência visito os amigos, até que ponto estou disposta a carregar a maca do outro incondicionalmente? Amizade é um investimento maravilhoso, o retorno é a companhia de pessoas queridas que não nos deixa na mão, que nos visita independente de ocasiões especiais, que nos dá a liberdade de ligar às quatro da manhã angustiados, que não nos ridiculariza pela tomada de decisão, que não abandona o barco na hora da tempestade, que é capaz de tirar do seu para nos suprir. Esse tipo de amizade não tem preço, quem tem amigos assim é uma pessoa extremamente rica.
        Faça a dinâmica da maca e veja se têm quatro amigos como os do paralítico. Se tiver, louve a Deus, do contrário, dá tempo de correr atrás e resgatar as amizades que ficaram distantes e também de buscar novos amigos. Só não esqueça, de que o verdadeiro amigo se revela com o tempo. Seja você também o amigo que carrega a maca. De repente você  tem um amigo precisando de um telefonema, uma oração, uma palavra de conforto, uma visita, um ombro para chorar ou quem sabe de colo Talvez ele precisa ser apresentado a Jesus e ter a sua vida transformada. Se Deus o fez lembrar-se de alguém, não se intimide, faça contato com essa pessoa, ela jamais vai esquecer esse gesto seu.
          Você só terá amigos amanhã se os fizer hoje. Não se faz um amigo da noite para o dia, leva tempo, mas vale a pena, pois a verdadeira amizade é para a vida toda.


11 de agosto de 2012

Eles só queriam atenção...



            Criança precisa de afeto, carinho, proteção, cuidado. Foi difícil para mim, que não fico um dia sem dar um beijo na minha filha, nem sem dizer um “ eu te amo”, ouvir aquela mãe revelar que nunca tinha dado um beijo no filho de nove anos.
          Ela me procurou porque o garoto estava dando muito trabalho. Não a ouvia e saia batendo a porta de casa sem hora para voltar. Eu coordenava um projeto social em que esse garotinho participava. Ouvi aquela mãe atentamente e fiquei de conversar com o menino. Chamei a criança na minha sala, não foi difícil fazê-lo falar, ele era comunicativo. Segundo o mesmo a mãe era agressiva, não fazia nada quando o padrasto e primos o chamavam por termos pejorativos. Perguntei se a mãe era carinhosa, ele negou.
          Voltei a conversar com a mãe e orientei que fosse mais carinhosa com o filho,  que desse mais atenção, que procurasse ouvi-lo. Ela relutou um pouco, disse que não sabia como fazer, tinha dificuldade em demonstrar carinho uma vez que não tinha recebido dos pais. Insisti que valeria a pena por mais difícil que fosse, então ela prometeu tentar.
          Passou mais ou menos uma semana e chamei novamente o garotinho para conversar. Estava curiosa para saber como andava a relação dele com a mãe e se o conselho que eu tinha dado funcionou. Assim que começamos a conversar ele foi logo dizendo: “tia, minha mãe me deu um beijo”. Os seus olhinhos brilharam ao relatar o fato. Fiquei muito feliz, o que aquela criança queria era atenção, carinho, era ser notada. Li que criança rebelde é  criança infeliz. Muitos pais por estarem tão ocupados não prestam mais atenção nos filhos, não percebem o quanto eles precisam de atenção. Muitas vezes o que resolve não é uma disciplina restritiva, mas um abraço, um beijo, sentar e olhar nos olhos do filho atentamente, estender a mão e oferecer ajuda.
          Sempre que podia falava com as mães do projeto social que se elas não abraçassem os filhos o mundo abraçaria da pior forma possível. Tem pais perdendo os filhos por negar atenção. Tem filhos buscando nas drogas, nas más companhias o prazer que não encontra dentro de casa.
          O relacionamento daquela criança com sua mãe melhorou muito, ela continuou se esforçando para dar atenção e ganhou um filho mais presente em casa, menos respondão e também carinhoso.
          Outra cena me vem à mente neste momento. Estava saindo do culto era dia das mães e um adolescente magro, sujo e descalço me chama de tia e me pede comida, olhei atentamente e reconheci, era um adolescente que tinha frequentado o projeto social ,mas infelizmente, se tornara usuário de drogas passando a  perambular  pelas ruas. Perguntei se ele tinha dado um abraço na sua mãe, já que era um dia especial, ele respondeu: “ eu não tenho mãe, tia. Ela não liga para mim, ela não gosta de mim”. Fiquei muito entristecida, pois muitas e muitas vezes aconselhei aquela mãe que batia no filho, que o colocava para fora de casa por qualquer coisa, que o chamava dos piores nomes a mudar a sua conduta, ela não ouviu, o filho buscou consolo nas drogas e hoje à mãe vive amedrontada com o filho delinquente. Pobre menino vitima de um lar desestruturado e uma sociedade injusta.
             Esses meninos só queriam colo, abraço, amor, proteção. Isso faz uma diferença muito grande na vida de uma criança seja ela rica ou pobre. O lar deve ser, independente da condição social, um lugar  onde se deseja estar. Nós pais devemos transformar a nossa casa no melhor lugar do mundo para os nossos filhos e isso acontece quando dentro de casa eles encontram  respeito, diálogo, carinho, atenção, cumplicidade, perdão, orientação, valorização, esperança, união.
            Você já abraçou seu filho hoje?

            Que Deus lhe conceda sabedoria e um coração terno dentro de casa.
         
        Fique na paz!!!!



8 de agosto de 2012

Como você está? Já perguntou a alguém hoje?


          Como você está? Quando foi a última vez que você ouviu esta pergunta de alguém realmente interessado na resposta? Há muito tempo que alguém ( fora a família) não faz essa pergunta para mim. Aliás, fazem, mas sem a verdadeira intenção. Ou seja, virou uma obrigação ao se cumprimentar alguém perguntar: “ Oi, como você está?” -  perguntam, mas não estão interessados na resposta, mudam de assunto quando você ingenuamente começa a responder principalmente se o que você  compartilhar for problemas.

          Paramos de nos preocupar com o próximo (amigos, parentes, família), a individualidade cultuada nessa era das redes sociais, não dá espaço para os problemas, alegrias e anseios do outro. Bastam os meus  problemas, muitos pensam assim.

          Dessa forma a vida fica mais pobre. Vejo na troca de experiências, no ouvir atentamente, no estender a mão com vontade de ajudar, como tijolos que sustentam a nossa base. Eu preciso do outro para crescer, o outro precisa de mim para crescer. Ninguém cresce sozinho. A casa que sou eu, têm contribuições de várias pessoas ( pais, professores, avós, tios, primos, amigos, etc.), cada tijolo tem uma história e essa história não se constrói sozinho, mas no coletivo.

           A pressa constante nos impossibilita de ver, ouvir, e conhecer o outro mesmo que esse outro esteja do nosso lado. Quantos casais depois de anos juntos descobrem que não conhece o cônjuge? Quantos pais tem filhos amargurados, depressivos dentro de casa e não sabem? Sentam juntos para ver a TV, para fazer as refeições, mas cada um na sua, cada um com o seu problema, sem tempo para dialogar. 

          Para ouvir é preciso parar. Mas vale a pena parar agora, do que mais tarde para chorar porque se encontra só.

          Como você está? Pergunte isso a alguém hoje.


         Abraço, fique com Deus.
         
         

Preocupados e inquietos com muitas coisas


          Hoje gostaria que você fizesse uma visita comigo. Vamos visitar uma casa aconchegante e acolhedora, estou me referindo à casa dos irmãos: Marta, Maria e Lázaro na passagem de Lucas 10:38-42. Está casa era parada obrigatória de Jesus quando estava passando pelo povoado de Betânia.
          Jesus nunca viajava sozinho, estava sempre rodeado de muita gente, mas tinha uma turma em especial, que estava sempre com Ele, os seus discípulos queridos, estes seguiam os passos do Mestre de perto. Então, a visita de Jesus, não era uma simples visita de amigo, era Jesus e sua comitiva.
          Pelo fato da Bíblia se referir “a casa de marta”, nos dá a impressão que ela era a irmã mais velha e responsável pelo lar. É provável que Maria fosse a irmã mais nova, e talvez  por isso, muitas vezes, poupada das tarefas mais difíceis.
          Marta como boa dona de casa gostava de receber bem as visitas. Ela com certeza caprichava na limpeza, na alimentação e acomodação, fazia tudo para que seus hospedes pudessem ter uma estadia tranquila. Como esposa de pastor e morando a maior parte do tempo em cidade do interior, já hospedamos muita gente na nossa casa. Certa vez, morando no interior do Rio de Janeiro, numa cidadezinha chamada Sumidouro, ficamos sabendo que iriamos receber dez pessoas na nossa casa. Eles viriam de são Paulo para realizar um evento na igreja. Como a nossa casa era grande e nessas horas sobra sempre para o pastor, coube a nós a hospitalidade. Aí veio a preocupação: recém-casados, pouca experiência na cozinha, pouca grana. O que servir, como acomodar tanta gente de forma confortável, como deixa-los a vontade? Nessas horas a gente quer fazer o melhor, quer impressionar, então capricha na faxina, prepara o cardápio, as acomodações. Tudo isso, fora os trabalhos da igreja que exigia muito por ser uma igreja constituída na sua maioria de idosos. Quando os hospedes chegaram eu estava tão cansada e abatida que parecia doente e quase não aproveitei a companhia deles. Já fui Marta muitas vezes, depois a gente descobre e isso vem com a maturidade, que não precisava de tanto esforço, nem tanta comida, e que, tudo, por mais simples que seja, se feito com amor, surte um grande efeito.
          Não era a primeira vez que Jesus se hospedava naquela casa, a presença dele trazia alegria, ensinamentos, suas palavras geravam vida e Maria não abria mão de ouvi-lo. Nesse dia em especial, assim que Jesus chegou, Marta e Maria o receberam com entusiasmo, Marta voltou para terminar os seus serviços, quem sabe estava fazendo o almoço. Maria deve ter ido buscar agua na cozinha para servi-los, mas ao servir não voltou para ajudar Marta, ela se encantou com o que ele estava ensinando e sentou-se juntamente com os discípulos para ouvir o Mestre.
          Marta ficou muito aborrecida na cozinha diante das panelas. A hora do almoço chegando, muita coisa por fazer. Imagino que como muitos de nós naquela situação,  ela começou a reclamar: “ como pode, eu aqui suada, descabelada, cansada, cheirando a peixe, enquanto a linda da Maria está lá na sala no bem bom. Ah! Isso não vai ficar assim, vou reclamar com Jesus que vai repreendê-la na frente de todos. Marta não tinha entendido nada, chegou diante de Jesus e soltou a sua chateação: “ Senhor não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Diz-lhe que me ajude!”. Nesse momento penso que Jesus balançou a cabeça em sinal de reprovação e carinhosamente respondeu: “Marta, Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas, todavia apenas uma é necessária, Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.”
          Já percebeu, como nós cristãos, andamos ultimamente inquietos com muitas coisas? Vivemos em um século tecnológico, com muitas facilidades ao alcance das mãos, nos encantamos com tantas novidades que estamos o tempo todo com a sensação de que falta tempo para tudo que gostaríamos. Além disso, muitas igrejas evangélicas tem se tornado uma casa de shows, onde muitos vivem ocupadíssimos com a nova programação, ou atrás de algo novo para entreter a plateia, ops, aos membros. Mas nem sempre estar ocupado com as funções da igreja significa estar aos pés de Jesus aprendendo com ele.
          Vejo a agenda de alguns pastores e fico me perguntando quando eles arranjam tempo para meditar na Palavra e orar. São tantas viagens, programas para grava, livros a serem escritos, organizações a serem cuidadas e ainda tem os que se envolvem com a política, que imagino que leem a Bíblia e oram, só quando estão no púlpito.
         Quantas vezes agimos assim, Jesus está tão perto e não conseguimos ouvir a sua voz. Colocamos tantas outras coisas como prioridade que não conseguimos dar  importância aos seus ensinamentos. Arrumamos a casa para receber Jesus, mas não usufruímos da sua companhia, não ouvimos as suas orientações,  não deixamos Ele mudar a dinâmica conturbada da nossa casa interior.
        A visita de Jesus é especial, ela traz salvação para aquele que abre a porta e ceia com Ele, ou seja, para aquele que come e mastiga o alimento que Ele dá de graça.
        Ah! Maria, como você é sábia e que lição nos deixou! De que não adianta preparar a casa para receber Jesus se não tivermos tempo para sentarmos na sala e conversarmos com Ele, se não tivermos discernimento para entender quando é a hora de parar com tudo para ouvi-Lo.
        Quem sabe você anda insatisfeito com sua vida espiritual. Apesar de frequentar a igreja, o pequeno grupo, a escola dominical, participar do coral, do louvor, sente um vazio interior, sente que falta algo. Se parar com os ouvidos atentos vai ouvir Jesus falando mansamente: “Marta, Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas, todavia apenas uma é necessária, Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.” . Troque o nome de Marta pelo seu e deixe o Espírito Santo ministrar ao seu coração.
Abraço,
Que o seu dia seja de vitória.


3 de agosto de 2012

Quem não reflete, vira marionete nas mãos dos outros



           No prefácio do seu livro Variações do Prazer Rubem Alves cita uma frase de Fernando Pessoa que diz assim: “ sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”.
         Esta frase saltou aos meus olhos e me fez refletir, cheguei à conclusão, que na maior parte do tempo, estamos ocupados tentando satisfazer os desejos dos outros.
         Quantos pais chamam a atenção dos filhos porque fulano está olhando de cara feia. Quantas vezes vamos a encontros que não gostaríamos  só por educação ou para não contrariar quem nos convidou. Esposas que se anulam completamente para entrar na roupa de dona de casa que os outros julgam ser a correta. Cônjuges sem vontade própria que enclausuram desejos com medo de perder. Conheci um esposo que passou anos acompanhando a esposa a restaurantes para comer determinada comida que ele odiava, porém, com receio de desagradar, fazia a vontade da esposa. Um dia não suportou, a máscara caiu,  saiu de casa. Quantas mulheres acompanham tendências de uma moda que não foi feita para elas, só porque  a mídia ditou. Quantos seguem uma profissão só para agradar os pais. Adolescentes que para serem aceitos se submetem a humilhações por parte de um grupo.
          Caminhar assim é caminhar sem refletir. Nessa caminhada os próprios desejos se perdem. Um dia olha-se no espelho e não se reconhece mais, pois se perdeu ao trilhar o caminho que o outro traçou. É preciso olhar para dentro de si e resgatar sonhos, desejos, valores, princípios que estão escondidos, trazê-los para fora e permitir agradar-se, gostar de si, se curtir, se amar. Quem não se ama não se curte,  não se valoriza, não se conhece, portanto vira marionete nas mãos dos outros.
          No meio evangélico por não entender direito a ordenança de Jesus de amar ao próximo, muitos se tornaram marionetes nas mãos de líderes tiranos que em nome de Deus exigem  o “melhor das pessoas”, sugam até a exaustão. Deus não exige aquilo que não podemos dar. Amar ao próximo exige antes amar a mim mesmo, se me amo sei a minha identidade, conheço os meus limites, a minha capacidade, então sei dizer não sem culpa, sem medo de desagradar.
          É preciso se reconhecer na multidão para não ficar igual, para não se perder na massa.

Li e gostei - MEMÓRIAS DE UM PASTOR ( Eugene Peterson)

"A igreja é composta de pessoas que, ao entrarem no templo, deixam para trás o rótulo ou a designação pela qual as pessoas da...