23 de agosto de 2012

Como uma sombra Ele não se desgruda de nós


         
         O salmo 121 fala muito ao meu coração, me remete a infância quando eu acompanhava a minha avó Cecília ao hospital. Ela entrava nas enfermarias e ia de leito em leito recitando o salmo 121 e orando pelos enfermos. Aprendi a amar essa passagem que retrata Deus de forma tão presente  no cotidiano dos seus filhos.
         Estamos vivendo uma época muito estressante. São muitos os fatores de estresse: finanças, relacionamentos conflituosos, religião, violência urbana, violência doméstica, preconceitos e por aí vai. Saímos cedo para trabalhar e podemos não voltar por causa de um irresponsável no transito. Dizem que o psicopata pode morar ao lado ou dentro de casa. Essa cultura do medo tem se alastrado principalmente através dos telejornais sensacionalistas que sobrevivem da tragédia humana.
          Porém, quando olhamos para o texto bíblico ele nos traz uma paz proveniente da certeza de que como uma sombra Deus não se desgruda de nós. Nos acompanha por onde quer que  formos. Isso não quer dizer que estamos blindados, que mau nenhum chegará a nossa casa, mas que mesmo vindo o dia mau, o nosso Deus anda conosco nos dando forças para vencermos os obstáculos, mesmo que vencer signifique enfrentar a adversidade e suas consequências.
         A companhia do Senhor produz segurança de que atravessaremos as tempestades e chegaremos seguros ao nosso destino. Muitos chegarão molhados e debilitados fisicamente, mas jamais abatidos espiritualmente. Conheci uma pessoa que enfrentou uma grande tempestade em sua vida, um câncer de pulmão. Pude acompanhar o definhar do seu corpo físico, as dores, o mal estar, o cabelo caindo, a pele descamando e ficava maravilhada ao ver aquela irmã, quando não estava em tratamento, entrando no templo para participar do culto. No final quando ia cumprimenta-la ela dizia com sua voz fraquinha: ”estou firme com Jesus”. Nas diversas visitas que fizemos, muitas vezes a encontrávamos prostrada na cama, fraca, pois nada parava no estomago e sempre dizendo: “Estou firme com Jesus, ele vai me curar”. Ela tinha uma fé inabalável, firme como uma rocha, nunca a vi murmurar, nem ficar amargurada, tinha apenas trinta e dois anos, casada e três filhos lindos.
           Um dia precisei ficar com ela no hospital, tinha se internado mais uma vez, a família era pequena então os irmãos em Cristo revezavam no cuidado. Sentei ao lado da sua cama, li a Bíblia, orei e ficamos a conversar, ela estava cada vez mais fraca. Num dado momento ela me olhou com os olhos cheios de lágrimas e disse que apesar de desejar tanto viver estava preparada para morar com Jesus e me perguntou se era errado ela pedir a Deus a cura porque queria muito criar os filhos e se ao pedir não estaria magoando o Senhor. Olhei para aquela irmã e percebi que estava diante de um gigante da fé. Ela estava enfrentando um câncer terminal sem medo, sem revolta, e preocupada em magoar o coração de Deus por desejar ficar. Alguns dias depois, estávamos em Belo Horizonte e soubemos que ela tinha sido curada, foi morar na  casa do Pai, onde não há choro nem dor, nem enfermidade.
         Fico pensando em alguns crentes triunfalistas que vejo cantando “a minha sorte vai mudar”,  diante de uma situação dessas. Aquela irmã passou pelo vale da sombra da morte e não desvaneceu na fé porque o Senhor como uma sombra esteve ao seu lado o tempo todo. O Deus Emanuel não se apartou dela e ela sabia disso e isso bastou.


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