12 de dezembro de 2011

Me enoja ...


            Há um tipo  dentro das igrejas “evangélicas” que me enoja. São os mais arrumadinhos no domingo, os que têm o melhor poder aquisitivo. Geralmente gostam de aparecer, de  ter cargos, de serem mencionados de púlpito e serem convidados para os eventos dos irmãos. Mas o que mais me enoja mesmo, é que se vestem de piedade, quando na verdade são gananciosos, egoístas, elitizados, e hipócritas. Só se aproximam de quem tem status, suas redes de relacionamento são os mais abastados da igreja. Interessante que eles até dizimam, claro que não os dez por cento, dão uma oferta mensal bem abaixo do que realmente ganham e com isso se sentem donos da igreja. É visível como eles bajulam os que chegam  aparentando ter dinheiro e nem enxergam os menos favorecidos. Quando um desses abastados ou elitizados sai da igreja, eles ficam inconformados, afinal perderam alguém de destaque na sociedade para outra denominação, mas quando quem sai é a família que recebia cesta básica  , eles nem notam. Tenho nojo de gente assim, Jesus também tinha. Suas palavras mais duras não foram para os declarados pecadores, mas para os religiosos que viviam nos templos, que faziam longas orações com o intuito de serem vistos, elogiados.  Jesus chamou os fariseus, grupo religioso da época, de sepulcro caiado, ou seja, por fora são bonitinhos, parecem santos, parecem ovelhas, mas por dentro são podres, lobos em vestes de cordeiros. Essas pessoas tem feito um desserviço à igreja, pois manipulam, tiram e colocam quem eles querem. São covardes, não falam do que desagrada na frente, mas pelas costas, assim vão minando o trabalho para que prevaleça apenas o que julgam certo.
          Pena que o joio se parece muito com o trigo e muitos pastores só percebem os fariseus tarde, quando o estrago está feito. È preciso buscar de Deus discernimento para  banir essas raças de víboras que tanto enfeiam o evangelho da humildade, do partilhar, da sinceridade, da renúncia, da misericórdia do amor ao próximo, pregado muitas vezes pelo Nazareno, que sendo rico, andou entre os pobres e enfermos afim de resgatá-los para o Pai.
          Jesus tanto andou com os ricos e intelectuais como andou com os pobres, enfermos e rejeitados. Não tinha nojo de tocar num mendigo, nem de ser visto ao lado de uma prostituta, nem de comer na casa de um ladrão, mas Jesus tinha vergonha dos que se diziam filhos de Deus e eram simulados, que pregavam o que não viviam. Deveríamos também como Jesus, ter a coragem de dizer que os tais são sepulcros caiados, que enfeiam a igreja, a torna elitizada e afastam os excluídos de se aproximarem de Jesus. A igreja deve ser lugar de refúgio para todos os pobres de espírito, como para  os pobres de bens materiais. A igreja deve ser o maior exemplo de inclusão, pois é o corpo de Cristo. Sempre  questionei a falta dos excluídos dentro  das igrejas. É que “os donos da igreja” os constrangem, por isso ficam de fora, como também deixam de fora muitos projetos que engrandecem o reino de Deus e líderes que fazem a diferença.
           A igreja pertence a Cristo, mas parece que até a  Cristo estão deixando de fora.

2 comentários:

Marília disse...

Lécia, realmente é triste quando isso acontece! Acredito que as pessoas vem para a igreja de Cristo na esperança de ser transformada, de ter seus corações de pedra quebrantados, de ter seu caráter moldado... No entanto falta o acompanhamento da caminhada delas com Jesus, falta o discipulado um a um. Hoje eu vivencio esta realidade e percebo como meu orgulho está sendo quebrado, como meu egoísmo está dando lugar à solidariedade e como meu conformismo está se tornando amor pelas almas perdidas. Sem o discipulado com profundidade, transparência, vários trigos poderão continuar se comportando como joio, e quem sabe serão levados ao fogo junto com eles também!

Lécia Salles disse...

Marília é verdade, as pessoas vem para a igreja buscando transformação, mas depois de anos no ministério e trabalhando com acompanhamento, a gente pode tirar algumas conclusões e infelizmente existem aqueles que mesmo acompanhados, confrontados, amados, não mudam e pior contaminam os mais fracos.Os religiosos existiram no tempo de Jesus e sempre existirão, Jesus os chamou de sepulcro caiado.
Abraço, continue deixando as suas considerações

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