1 de maio de 2012

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.




“ O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...”  

“- A gente só conhece as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me”. 

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
( Falas da raposa ensinando o Pequeno Príncipe a cativar)

          Vai fazer uns três meses que nos mudamos para o apartamento novo, ainda há livros para serem desencaixotados, leva tempo até colocar tudo em ordem. Então resolvi dar uma mãozinha para a minha filha e desencaixotar os seus livros e arruma-los na estante. Nessa arrumação encontrei preciosidades que ainda não tinha lido, por falta de tempo ou interesse mesmo. Foi assim com o Pequeno Príncipe. Ele mora na estante da minha filha há algum tempo, foi presente da minha mãe, professora, querendo despertar na neta o encantamento pelos livros, conseguiu. Minha filha devora livros.

         Confesso que só comecei a  ler o Pequeno príncipe por pura falta de grana para comprar um livro novo do meu interesse. Porém, me cativou! Não consegui parar de ler, fui sendo levada pelas páginas totalmente absorta com tanta delicadeza, sabedoria, me emocionou.

          Terminei o livro e fiquei a refletir sobre a importância dos amigos, da verdadeira amizade. Uma amizade sólida não se constrói da noite para o dia, leva tempo, esforço, dedicação, mas vale a pena, pois fica para toda a vida. Muitas pessoas já passaram por minha vida, são 17 anos de ministério pastoral ao lado do meu esposo, mas dentre tanta gente, algumas se destacam por perseverar em nos cativar. Esses poucos nos ama não pelo que podemos oferecer, mas pelo que somos, para esses  não importam as nossas decisões, nos amam e pronto. Já sofri quando achava que todos os que me cativaram eram amigos, descobri que não, muitas eram apenas pessoas querendo ser servidas. Muitos dos aniversários, casamentos, formaturas, nascimentos que fomos convidados, não fomos convidados como amigos, mas como aqueles que deveriam levar uma palavra de conforto, de incentivo, de ensinamento, como aqueles que deveriam oferecer alguma coisa. A ficha foi caindo, caindo  e fui percebendo que na multidão de pessoas que nos cercam, contamos nos dedos de uma mão os que realmente se importam.

         Embora sempre sofra quando esquecida por quem julgava ser amigo, não amargurei, continuo servindo, cuidando, ensinando, e entendendo que não preciso de muitos caminhando comigo, nem de ser aceita pela maioria, o importante é fazer amigos verdadeiros, mesmo sendo poucos, fazem uma grande diferença, somam para dias melhores.

   
         Jesus é assim, um amigo para toda a vida. Se o relacionamento está distante basta gastar tempo lendo a sua Palavra, falando com ele em oração que sentimos o clima de intimidade retornando. Ele jamais nos esquece, nos ama incondicionalmente, do jeito que somos, nos valoriza apesar das nossas imperfeições, e se alegra com a nossa companhia.

       Você se lembrou de um amigo de verdade que está precisando ser cativado? Pare o que está fazendo e entre em contato com ele, vai valer a pena. E com Jesus, como anda a amizade? Já falou com ele Hoje?

        Não esqueça: amizade não vem pronta, é preciso construir e “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.





Um comentário:

Rute disse...

Ah, entao voce tambem foi cativada pelo principezinho, heim? Eu amo O pequeno Principe. Me acompanha desde a adolescencia e de vez em quando o releio. Singelo, mas contem muitas coisas que nos fazem refletir.

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