28 de junho de 2013

GANHAR PERDENDO

 
           Acredito que a comunhão com Deus através da oração, do momento a sós é primordial para o crescimento espiritual. Leio Yancey e Nouwen há muito tempo, o que escrevem edifica a minha vida, por isso compartilho com você parte do capítulo 11 – Peçam, busquem, batam à porta – do livro Oração: Ela faz alguma diferença? De Philip Yancey.    
 Boa leitura!!




Por que devo passar uma hora em oração quando, durante esse espaço de tempo, nada mais faço senão pensar nas pessoas com quem estou zangado ou estão zangados comigo, em livros que deveria ler e livros que deveria escrever e milhares de outras coisas bobas que por acaso tomam conta de minha mente por um instante. ( Henry Nouwen)

          “Henry Nouwen faz essa pergunta de diferentes maneiras, aventando diversas respostas. Às Vezes ele recorre à necessidade de disciplina espiritual, de ser leal até mesmo sem uma recompensa aparente: ‘Devemos orar primeiramente porque é bom e nos ajuda, mas porque Deus nos ama e quer nossa atenção.’

         Por fim, Nouwen conclui que ‘sentar-se na presença de Deus durante uma hora cada manha – dia após dia, semana após semana e mês após mês, em total confusão e com mil distrações – muda a minha vida radicalmente.’ Ele aprendeu humildade e dependência, e depois de horas de persistente oração sem nenhum sinal óbvio de seus frutos, percebeu que uma voz minúscula e suave estivera de fato falando o tempo todo.

         ‘A oração não faz Deus mudar de ideia, mas muda quem ora’? Talvez, em algumas ocasiões, as mudanças internas forjadas por meio da oração possibilitem respostas que há muito tempo estejamos procurando – a “mudança” em Deus, se você prefere dizer assim.  A oração persistente conduz-nos a um novo estado espiritual, à disposição da ação divina. Talvez seja por isso que Abraão, Moisés, Jacó e outros se acharam envolvidos numa luta tão feroz: essa aparente luta contra Deus estava desenvolvendo neles qualidades divinas desejadas por Deus o tempo todo.

         ‘Acaso o maior desastre possível, quando você está lutando com Deus, não é apanhar?’, pergunta Simone Weil. Em outras palavras, o que na hora parece uma derrota pode emergir como uma duradoura vitória. Jacó, o trapaceiro, caminhava orgulhosamente sobre ambas as pernas; Israel, o pai das nações, entrou para a História mancando. O verdadeiro valor da oração persistente não reside tanto no fato de que conseguimos o que queremos quanto na constatação de que nos tornamos a pessoa que devemos ser.

        [...] A exemplo de Pedro, podemos orar pedindo comida e receber uma lição sobre racismo; à semelhança de Paulo, podemos orar pedindo cura e receber humildade. Podemos pedir o escape da provação e receber paciência para suportá-la. Podemos orar pela soltura da prisão e receber a força para resgatar o tempo de aprisionamento. Pedir, procurar e bater à porta tem um efeito para Deus, como insiste Jesus, mas também exerce um efeito em quem pede, busca e bate à porta.

         [...] A oração oferece uma oportunidade para Deus nos remodelar, esculpir o mármore como um escultor, retocar as cores como um artista, editar as palavras como um escritor. O trabalho continua até a morte, embora nunca fique perfeito nessa vida.”

Fonte: YANCEY, Philip – Oração: Ela faz a diferença? São Paulo: Editora vida, 2007.
( Pg 189, 190,191)

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